quinta-feira, 31 de julho de 2008

Olhar de...


Parada na esquina, jeito esguio, aproveitando o vento que passa para mexer nos cabelos encaracolados... Olha para o outro lado, torna a mexer no cabelo, concerta a saia, apalpa os seios...

Retoca o batom carmim, olha fixamente para aquele lá ao longe que se paroxima...

Desvia o olhar um instante, volta a fitar aquele, se exibe, vira de lado, olha de perfil...

Acredita em si, abre o espelho em formato oval, olha por ele aquele que a cada passo está mais próximo...

Mas ele passa, mal olha para ela...

Ela, novamente, espreita outro, e passa a olhar em outra direção...

Um novo olhar, olhar de...

Em busca de um olhar que se prenda ao seu olhar.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Olhando o jornal

Sentado no banco de praça, olhar já cansado por causa do tempo vivido, das letras miúdas do folhetim, das notícias batidas...
Vez ou outra levanta o olhar, espia quem passa, segue, volta ao jornal, depois torna a olhar os passantes.
Imagina coisas, subverte outras, ri sozinho e volta a ler.
Um olhar que muito viu, mas que pára ao notar uma criança que brinca com uma bola de futebol, acha graça disso, dá mais uma olhadinha no jornal, dobra-o e põe debaixo do braço e sai, olhando ainda o menino e sua bola.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Continua o Olhar...


Passando quase que despercebido, olhei pela janela...

Aquele olhar triste ao longe me fez parar, olhar...

Parece que percebeu e passou a me olhar com seu olhar triste, quase sombrio.

Tive medo, mas continuei olhando, até sentir que se tornou mais triste, mais seco e ameaçador...

Desviei o olhar, mesmo sabendo que tinha sobre os olhos meus, óculos escuros...

E ao lembrar disso, tornei a observar e continuava me olhando...

Parecia mesmo saber que eu via...

Mas que triste olhar.

Ainda, com e sobre os olhos...


E esse olhar sobre mim... Escondo-me, retraio, mas persegue, me ousa tanto, me toca.

Não me iludo... Mas é tão encantador esse olhar... Não me diz nada, me contempla em tudo.

Ando pensando nele, durmo lembrando, acordo esperando.... Ah! Esse olhar! Tenho medo, tenho desejo, tenho...

A sua cor, a sua inclinação, as palavras que lhe saltam rápidas, devagar, soletradas...

Esse olhar me envergonha, me faz tirar a roupa, me faz gozar, me perfura.

Ah! Esse bentido maldito olhar.

Ainda


Ainda que finjas que eu não estou em sua frente...

Por mais que falar contigo eu não possa esperar mais que um balançar de cabeça e pescoço...

Mesmo que seu sorriso não tenha tanta propriedade e firmeza...

Ainda assim eu continuo tentando te dizer.

Dizer que não adianta se espernear, estremecer, escoimar-se, porque irei olhar-te nos olhos e dizer tudo que penso a respeito.
Porque sei o que acontece contigo, sei o motivo que te faz ter o coração mais acelerado, sei o que está atráz de seus olhos.

E mesmo quando eu me calar, estarei pensando a respeito e poderei emitir uma nova fala a qualquer momento.

Ainda assim, ainda assim.

sábado, 26 de julho de 2008

Sensações


Água na boca, sensação de desejo, arrepio, contato, abstrato. Toque. Forte emoção. Viva emoção. Impacto. Eriçar. Tremer. A ver estrelas, intenção de ter. Parte boa do desejo por outrem. Grande desejo por alguém.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Fatos e pessoas

Fatos parecem ser só fatos, caso não prestemos atenção suficiente. Pessoas são pessoas, isso é uma certeza... Mas muitas se destacam, se expõem, acreditam mais e claro, amam mais. Gosto muito de olhar as coisas por aí, percerber algo novo. As vezes por isso, perco o foco em outras tantas coisas que deveria olhar, então, torno a passar por ali, para ver melhor. Mas os fatos que estão nessas coisas, não são somente fatos. E eu gosto de estar com pessoas que se diferem.

Ser poeta

Ver-me poeta. Amar o acaso das palavras: inspiração...
Inspiro o vento das letras e trago-as a contexto,
Com o nexo dos meus sentimentos.
Sentir-me poeta. Viver a dor da solidão,
A indexação do sofrimento do mundo,
Chorar e não saber ao certo os porquês,
Porque ninguém os sabe.
Viver poeta. Olhar no horizonte do tempo,
Enxergar a vida, o amor de todo, ilícito ou lícito,
Imaginar caldeiras transformadas em ser, inundadas de paixão,
De posologias raras, como todo ser humano.
Ser poeta é falar de amor aos que não entendem,
Aos que imaginam entender, aos que vivem, a todos.
Ser poeta é viver o inconstante, é suspirar ao falar de desejo,
De sentimento vasto.
Ser poeta é ser, ser sensível.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vivo outra vez

Sinto-me vivo outra vez, capaz de amar e ser amado... Diante de constante vontade de estar com outra pessoa e vivenciá-la sem medos e sem se pegar em conceitos, que não sintetizam o que é amar. Quando olho nos olhos da pessoa amada, vejo-me, sinto-me, analiso os sentimentos vigentes na pessoa, lendo na íris, ouvindo através de toques n’alma, experiências que são de importância crucial na vida de uma pessoa. Sinto-me livre para amar, mas escravo deste amor... Não me sinto enganado, pois sei da condição que estou, lutando para Ter, mas ainda não tendo... Mas apaixonado, extasiado de emoção, apenas por olhar, tocar, dedicar um carinho, sem cobrar atitudes. Duas pessoas carentes, inseguras, necessitando de um porto seguro, podem se unir, afim de uma completar a outra... Sem distinção de quantidade e profundidade, mas sim de ser verdadeiro. E o que mais fazer a não ser pensar seriamente, estruturar estes sentimentos, Ter certeza deles e então confessa-los a quem de direito?! Isso mesmo, sem medos... Ajudar e ser ajudado em condições de amor e ternura... Ambientados na mais verdadeira alquimia da alma.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Passeio pelos sonhos

Andei pelos sonhos de alguém essa noite. Parecia que eu tinha nas mãos o poder e a leveza de alimentar sua alma com o meu amor, porque a forma como me olhava, me beijava, era tão voraz que às vezes sentia medo, mas logo em seguida me entregava e correspondia aos seus toques, suas carícias. Eu olhava nos seus olhos e podia ver o que transcorria, transmutava e corria de dentro pra fora. Não durou mais que à noite, mas sinto que me perdi um pouco por lá, me cedi, me excedi, me deixei e trouxe também. O cheiro está preso nos meus pulmões, o sorriso está fixo na minha memória e sinto que não sou mais o mesmo... Sou o menino que virou tudo de pernas pro ar, sou o homem que se perdeu no leito denso da carne, o poeta que não quer rimar e que arde em paixão quando pensa, fala e vive o amor. Tornei-me bicho manso, parte da terra, semente, germinando. Sinto saudade do corpo, dos dentes que me morderam lindamente, dos dedos que percorreram milimetricamente pedaço por pedaço do meu ser. Mas sinto ainda mais por causa daquela alma, que por instantes fundiu-se a minha, misturaram-se e quando separadas... Eu já não era eu mesmo, tinha me perdido no abismo do prazer e me achado, lançado pra fora como num gozo fora do comum, mas não morri... Daquele momento em diante eu tinha nascido, renascido, revivido, despertado para uma vida cheia de entrelinhas, onde podia e posso esmiuçar os detalhes, saborear cheiros e gostos, mas sinto falta... Parte de mim ficou lá, não sei qual foi exatamente, se a maturidade ou a jovialidade afobada, não sei... Mesmo depois de desperto, rosto lavado e retirado o resto do sono preso aos olhos, mesmo assim, continuava pensando nesse encontro, o dia todo a pensar, relembrar, percorrer exaustivamente o passo por passo seguido durante a noite. Se muitos falam que o sono é o momento em que o espírito se desprende do corpo e passeia, reencontra outros afins, preciso de certo encontrar tal criatura que ficou com pedaços de mim. Andarei pelos cantos do mundo, olhos fixos a tudo e a todos, ávido, mirando no que vejo a fim de me ver, de me completar e somar. Parte de mim ficou lá... Hoje deitarei mais cedo, pra se acaso eu sonhar e viajar pelo sono de outrem, eu ter mais tempo pra ficar e que quando eu partir, leve a certeza de que deixei algo e trouxe a certeza de que sempre tenho que procurar dizer tudo, porque muito pode ter mudado quando despertar.

Pensamento

Perdido num acaso de emoções, exaurindo uma energia que desperta boas opiniões em quem ouve e vê. Saí por aí porque precisava encontrar uma essência, ou mesmo, minha essência, como se ela estivesse confusa, perdida. Passei por caminhos monótonos, já outros cheios de turbulências, mas também um tanto chatos. Encontrei pessoas interessantes, desinteressantes, angustiantes e apaixonantes. Algumas me tocaram, outras se aproximaram mais, outras não quiseram pagar pra ver, nem mesmo se doar. Cantei enquanto pensava, pensei enquanto cantava, falei sem pensar e pensei ao falar, perdi chances de concertar, outras vezes concertei o que outros fizeram por perceber que poderia ter sido eu. Andei de ônibus sem foco algum, assim como também fiz refeições maravilhosas sem perceber o que havia ali, de tão longe que andava meu pensamento. Sempre falo de meu pensamento de uma forma meio que respeitosa e com medo, existe uma adoração por parte de mim pra ele, porque fico besta quando penso tanto de forma tão ágil, que acabo me surpreendendo comigo mesmo... Não é narcisismo, mas não posso ser modesto dentro da minha loucura, do meu pensamento. É como num jogo de cartas, existe a sorte sim, mas tem que haver uma estratégia, mas no meu caso é orgânico, automático, como falei anteriormente em perder o foco, mas é algo que você faz com tanta freqüência, que vai, sem ver, sem entender ou até entendendo, mas sem aquele tato de controle. È difícil desligar, para mim penso até ser impossível, porque quando quero parar de pensar, mais penso, penso. Quando me deito, começo a rezar, existem duas orações sendo proclamadas, uma internamente e outra em subconsciente que sinto. E mesmo quando penso em encontrar algo, que penso em buscar, sei que as respostas estão dentro de mim, na minha essência que insiste em pensar. É a minha sintonia, não sai do ar, vive a pensar.

Nova estrela no céu surgiu

Nova estrela no céu surgiu...
Ofuscou os olhos em lágrimas...
Queimou os céu dos corações...
Deixou uma marca cinza nas almas e encheu de saudade os destinos dos humanos amados.
O tempo será bálsamo para esses pobres sofredores deste mundo.
O sol, Deus, Estrela máxima, inundará de luz e calor os corpos e restará apenas saudade branca e lembranças.
Muitos ainda irão chorar, pois o vazio não se finda.
Gente quando vira estrela, preenche o céu, esvazia o coração e dá aos olhos ponto para se olhar.
O amanhã não se acaba e dentro da noite sempre se pode ver brilhar, esta luz que a pouco neste mundo, se fazia carne, e ainda assim se via brilhar.
Os amados por essa estrela gente, hoje, ainda se pode amar, e há quem diga esse amor terminar. Se o tempo foi curto, feliz de quem soube aproveitar.
A mim, o pensamento voa, tanta coisa a imaginar, de tempos perdidos, que não se pode voltar.
E meu amor por essa estrela, que quando gente, quase não fiz aproveitar, de hoje em diante virará poesia, assim como ela se fez brilhar.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

E aí, o que faremos?

Chegamos ao descontrole. A vida parece não ter nexo, ter sentido. Viajamos por um caminho tortuoso, denso e violento. Pessoas se esbarram, se contrapõem. Vamos de encontro há um futuro tranqüilo, cheio de paz e de compaixão entre as relações humanas. Espanta-me ver todos os dias como os jovens perdem-se e adultos já perdidos, se entregam ainda mais ao ermo, ao “escrotismo”. Tantos estão morrendo, ficando inválidos, levando marcas para o resto da vida. Mas pior ainda é ver mães e pais chorando seus filhos-corpos, que saíram de cheios de vida de suas casas e não tornaram a voltar assim. Onde está à educação doméstica, a escola, a religião com seu Deus ou força maior que põe limites além da justiça dos homens? Esses pilares estão perdidos? Estamos perdidos? Para onde iremos? Envergonha-me saber que não existe punição para tantos e um senhor de idade avançada está preso por ter seu rebanho pastando em beiras de estradas e numa reserva ambiental. Não que ele não tenha de ser punido por agir da forma que sempre agiu ao longo de tantos anos, mas esse extremismo corrompe e enfrenta a nossa razão. Eu não sei para onde tudo isso nos levará. Mas sei que não é e nem será fácil reverter tal situação. Ou o Estado toma conta de suas escolas e faz a justiça acontecer de forma desejada e pretendida desde quando foi criada, as famílias observem seus filhos e imponham limites e lhes dê berço e as religiões chamem seus fiéis e ensinem que Deus, seja Ele qual for, não permite que os homens tomem de suas força para atingir e matar qualquer que seja um de seus filhos, porque já não se lembram do que é pecado, se esses alicerces não forem bem fundados, afundaremos num mar de incompreensão, violência e sangue, que teremos nos amigos, familiares, e até nós mesmos perdidos e chorados, sem um retorno feliz.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

e vem aí...

Passaram-se anos difíceis, estive inerte, deixado um tanto de lado, preocupado demais por causas que não eram minhas... Aprendi! Sempre em contato com meu interior agora mais do que nunca, sei o quanto tenho de emanar forças de mim para mim, e ser agente transformador de energias externas, quaisquer que sejam, em bons combustíveis para a minha força motora e psiquica. Estou deixando minh´alma velha mais à mostra, me preocupando menos com os cabelos que caem e deixam a mostra minha calvice. Estou dando valor as pessoas certas, estou escrevendo mais, amando mais as coisas simples. Estou vidrado, em meus olhos vê-se claramente a minha vontade de beijar, mas não consigo tocar os lábios de outrem. Em preto e branco desenhou-se, pintou um céu azul, árvores verdes frondosas, um lago cristalino cheio de cor embaixo, mas dentro de si batia um coração, propulsando um vermelho intenso, mas poucos podiam ver. Não quero a certeza, tudo se tornaria muita chato... Quero a dúvida, a indagação e mais que isso, quero o novo a cada instante...

Novos espaços, outros cantos


Cabeças Cortadas Universo de Retalhos - Parceria com minha irmã Danielle Freitas

Parte de mim - o que vira escrita...

Os que me olham, me sentem e me acomapanham

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