terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Passagens translúcidas. (Descarado seu.)



Porque viver assim, tão louco e tão são, cheio de vida, cheio de qualquer coisa e tudo, é o simples e complexo dom de enfrentar os dias, fazendo das horas amigas inseparáveis e do passado um livro cheio de presente escrito. Porque amar é amar e eu sou só sentimento dentro desta razão toda. Era parte, era chuva, sol e horizonte descampado. Era todo, era neve, lua e mansidão sem tamanho. Era amor, era fogo, estrelas e sussurros no paraíso. Era verde, era tempo certo, despertar e se aninhar para sempre.
Dia de chuva numa casa qualquer, num fim de tarde, inicio de noite, um cobertor para dois, quatro pernas, quatro braços, trilhões de mãos, fim de noite, inicio da madrugada, o universo inteiro conspirando, o céu inteiro respingando, muito movimento no avançar do novo dia.

sábado, 12 de novembro de 2011

Intervalo – Tesoura, estado e concerto para piano.


Correu para o abraço perdido há anos, percebeu que sua única chance passava ali, estava ali, vivia ali e por um instante que fosse, qualquer, o abraço poderia sair de seu alcance.
Pôs todas as plantas ao sol. O astro não surgia assim há semanas, as plantas estavam molhadas demais, por isso as guardou, mas agora era a hora, o dia, o sol.
Madagascar é tudo que sempre sonhei. Um território inundado de beleza. Talvez o lugar mais lindo que estive, guardando suas peculiaridades, mas me sinto feliz em Paris, é nesta cidade-estado-de-espírito que meus pensamentos vivem e morrem férteis.
Porque parte de mim é mar a outra é ar. Porque parte de mim delira enquanto a outra pensa. Mas principalmente porque uma parte de mim sou eu e a outra também.
Pegou o dia, vestiu-se de luz, de sol, de vento, andou como sempre, mas estava mais sabido de si, trocou-se ao entardecer, amparou-se na lua, banhou-se de brisa e logo se entregou aos sonhos, límpidos e cristalinos sob a luz das estrelas.
Fragmentos são cacos espalhados sobre o chão, a mesa, a rua, mas ali, bem ali, eram partes do todo, do composto, do infinito de cada um e a mulher, agitada com seus dedos nervosos, trouxe uma inquietude, que por quase uma hora, saí de mim.
Ele falava demais, mas falava tão sujo, tão cheio de palavrões, ele era uma bosta, estava querendo chamar a atenção e conseguiu, por ser tão sujo e grosseiro.
Ingerir álcool nem sempre é a melhor saída para a saída dada ou tomada, enfim. Sofrer de cara limpa normalmente ajuda a entender melhor e no outro dia não haverá ressaca. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crônico!


Com lançamento previsto para o dia 12 de novembro, a coletânea Crônico! (R$28, Ed. Multifoco, 100 páginas.), organizada pelos escritores Jana Lauxen e Beto Canales em parceria com a Editora Multifoco, reúne a nova safra de cronistas e ilustradores brasileiros.
São, ao total, 18 crônicas e 18 ilustrações, que reúnem o melhor de todo o material recebido durante a seletiva, que buscou, pelos quatro cantos deste Brasil, cronistas e ilustradores dispostos a colocar seus textos e ilustrações na avenida:
- Existem excelentes escritores e ilustradores em nosso país; infelizmente (e injustamente) em sua maioria ainda desconhecidos. Um dos principais objetivos da Editora Multifoco é encontrá-los e publicá-los. Uma forma de colocar leitores em contato com autores que, através dos meios de comunicação convencionais, nunca teriam a oportunidade de conhecer. – diz Jana Lauxen, uma das organizadoras da coletânea.
A obra conta com autores do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e Bahia, o que, segundo a organizadora da coletânea, só vem a somar no resultado final da obra, que considera pra lá de satisfatório.
- O Brasil é um país imenso, cheio de culturas diferentes e, naturalmente, de realidades e pontos de vista também diferentes. Reunir autores de diversos lugares do Brasil, cada qual com sua visão sobre situações completamente distintas entre si, trazem ao leitor um panorama atualizado da realidade brasileira. Além do que, é muito interessante descobrir o que pensam estes novos escritores que, de uma maneira ou de outra, também estão escrevendo hoje o futuro da literatura no Brasil.
Os textos que compõem a obra discorrem sobre os mais variados assuntos, indo desde literatura, Deus, galinhas, maconha e futebol, até festas, esperas, pêssego, vida e morte – todos retratados também por meio dos quatro ilustradores, que deram traço e forma aos textos que receberam.
O resultado desta miscelânea de autores, ilustrações, textos e temas poderá ser conferido a partir do dia 12 de novembro, data do lançamento da obra, que acontecerá no Rio de Janeiro, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126 - Lapa), entre 18h e 21h.

Quem tiver interesse em adquirir um exemplar, poderá entrar em contato comigo pelo e-mail: pliniogomess@hotmail

Abraço Perfumado

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fronteiras


Procurei distante, porque perto já não enxergava nada. Uma nuvem, bruma, fumaça: Socorro! Um grito ecoando no vazio, e desespero dentro do quarto, da casa, da cozinha, no limite de tudo, do caber em si de tanto pensar e comer e rezar e viver e não por pra fora tudo isso que é muito e não se sabe bem organizar em parágrafos, frases, palavras, apenas caos, caos, fumaça. Começou assim, de leve, como uma vontade de não estar mais sozinho, de ter alguém para dividir o fogo, o prazer, o jantar, a garrafa de vinho, a cama. Depois foi crescendo, como um bolo no forno, subindo, subindo, o desejo enorme, a solidão beirando a forma, o risco de transbordar, de derramar e depois o trabalho de limpar tudo, mas não teve jeito, caiu, passou da borda e começou essa fumaça adocicada, chocolate, e foi aumentando o desejo, os pensamentos foram e vieram, trouxeram a imagem precisa, mas as coisas andam tão imprecisas, não ando tendo conversas e ando até impaciente. É isso, era mais ou menos nisso que queria chegar, no fato de ter de romper espaços, de ir mais longe, de sair da casca, da casa, da rua, estourar os limites, ultrapassar as fronteiras que me impedem de ver o inevitável, de perceber o quanto estou me escondendo por detrás desta fumaça de bolo queimando, desta bruma de romance inalcançável. Isso. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A prévia do dia excluído

Perdeu-se no acaso do não dito, tentou se aconchegar no colo do mundo, mas o mundo, por certo não cabia em si e nele pouco ficava quieto. Algumas palavras tentavam sair de sua boca, mas a confusão era tamanha que tudo se embaralhava e mal murmurava coisas desconexas. Perdeu-se no acaso do ser só e não tentou se aconchegar mais em lugar nenhum. ‘Nature Boy’, naturalmente contemplado e contemplando, ‘... Um estranho e encantador rapaz... ’, sabido por demais, pensando por demais e passando por demais as coisas, os escritos, os dedos sobre a superfície árdua e bela da vida, como um armário antigo de madeira cheio de poeira e com a ponta, não menos e não mais que a ponta do dedo indicador, retira a poeira e deixa aquele caminho perdido, de não chegar a lugar nenhum, apenas indicar que ali, bem ali, existe um mau zelo, um descuidado com tudo. Não necessariamente confuso, ainda, observa as gaivotas que sobrevoam o mar, os barcos e mergulham e pescam, perde-se até, vendo aquilo, imagina-se leve, fluido, pairando sobre tudo e todos e de certo, o era, o é, afinal, sabe do amor, mas sabe do amor numa profusão de tanta coisa, que por isso se perde, acha-se, engana-se e ama, como todos, como tudo. Porque amar além de tudo, também é confusão, choro, dor e silêncio.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Do tempo eterno do instante [A narrativa fantástica do sexo]

Tudo começa como uma brincadeira bendita... Um pega-pega, um roça-roça, de risos fáceis, os cheiros exalando, uma mordiscada aqui, um beijo acolá e depois vem... A pele queimando, os lábios ardendo, mãos faiscando, pernas tremendo, coração explodindo e irrigando loucamente o cérebro, uma parte vazando, a outra em riste, uma querendo a outra, depois tudo funciona... Muito calor, evaporação sobre a pele, muita fricção, muito de tudo, num vai-e-vem-doido-compassado-sem-ritmo, querendo sorver, derreter. A respiração mais sonora do que nunca, os músculos dilatando, os nervos relaxando, hormônios tomando conta de cada centímetro-corpo, tudo é uma explosão de silêncio e barulho, o suor escorrendo, dois num corpo só, mais risos, agora mais absolutos, espasmos, boca seca, para depois molhar mais em beijos, amor pleno, paixão realizada.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Emoldurado

Você surgiu,
pensou que não notaria,
até pensei em não dizer,
não falar,
mas o amor é maior,
perdi-me em ti,
muito antes de querer pensar,
então não escorre,
não finge,
apenas vem...
Senti-me...
Só seu, como sempre fui.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Só um pouquinho de nada.

Por hoje é só e para todo o resto também. Nem um pouco a mais, nem um pouco a menos e não adianta pedir um pouquinho de nada. Afinal, quem passou a vida toda esperando fui eu, quem sempre teve de dar concessões, aguardar a chegada, não sair de casa, permanecer intacta e lícita às suas vontades fui euzinha, a mulher que você conquistou e reconquistou durante esses anos e que sempre esteve cheirosa e bem vestida para depois você vir [quando vinha] para desnudar ou rasgar as vestes e me possuir de um jeito que só você sentia prazer e um misto de dor e medo de ficar sozinha pro resto da vida, por isso aceitava, eu acho, essa espera toda, esse seu jeito louco de me ter e o meu jeito mais louco ainda de consentir. Mas agora não, percebo que esperar é doloroso, nunca saber se você irá vir; Nunca ter certeza de um futuro troncho e vazio contigo é muito pior do que ficar sozinha e encalhada. Afinal, quando me preparava para você [vir ou não] acabei descobrindo que minhas mãos me dão mais prazer do que aquilo que você tanto ostenta no meio das pernas. Cara, eu pensava que era amor o que eu sentia, mas não, era desprezo a mim, era uma coisa estranha, uma mania de querer sentir dor para esquecer a dor que sempre existiu em mim, a de lutar, de mudar, de aceitar que decidissem sempre tudo por mim, como minha mãe sempre fez e depois meu irmão e agora você. Não, nem mais um pouquinho de nada, nem mais sua mão em cima de minha pele, nem mais uma palavra sua, nem mais a sua cara na minha porta. E não adiantará você me dizer que me ama que não sabe viver sem mim, porque eu definitivamente sei viver sem você e não quero mais essa história de mais um pouquinho de nada.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Engasgo (ou) Cinzas de cigarro que voam e caem nos olhos

Tenho vários motivos para sorrir, mas posso citar apenar um: estou vivo. Simples isso, fácil. Mas o que me prende hoje é o sapato esquerdo que me força a unha encravada. Destravo as janelas que estão loucas para serem abertas e me gritam desvairadamente, porque lá fora brilha um sol majestoso, e as roupas estão totalmente secas no varal. Queria sair daqui e ir, mas ir tão perto do nada quanto longe de tudo e apenas recostar minha cabeça no colo do espaço e chorar. Por que mesmo sabendo de toda felicidade que há em mim, também sei o que me arrebata e me faz querer simplesmente ser frágil. Numa música que toca enquanto outro toca um violino afinado e afiado, diz: tempo de silêncio e solidão. Mas alguém pode me perguntar o porquê e eu, franco e claro, digo: Nem tudo é companhia no meio da multidão. Hoje estou em casa, nunca mais estive em casa do jeito que estou hoje. Mas o que há de diferente estar em sua própria casa todos os dias? Engraçado isso, ter de explicar algo tão denso&complexo&chato e quem sabe desnecessário, mas como disse que sou e realmente sou franco: tem dias que você está em casa, mas não está. Noutros dias estamos, mas tem alguém conosco, mesmo que seja em pensamento. Há ainda os dias em que recebemos visitas avisadas ou desavisadas e rezamos para que saiam tão rapidamente como quando entraram. Aqueles dias em que chamamos alguém para um almoço, mas a pessoa fica até o jantar. Enfim, são tantos dias, mas hoje é um dia meu, em minha casa, com minha musica, meu choroloucodesenfreadosufocante. Parece que estou num desabafo alucinado, mas não, estou sendo um pássaro que se permite, mesmo que por um dia, não saber voar.

Uma noite sem você
João Linhares

Uma estrela brilha na brecha da noite
Clareando o calabouço da minh'alma
No escuro e sem você
eu perco a calma
Hora amarga que me encharca
em seu açoite
A paixão me esquartejando com sua foice
E a garganta vomitando um grito rouco
Chamei tanto que eu quase fiquei louco
Quis mostrar um pouco do meu sentimento
Que uma noite sem você é muito tempo
E uma vida com você é muito pouco

A saudade incendiando a madrugada
No silêncio queima a chama da alegria
Inda lembro de você naquele dia
Me beijando, me dizendo que me amava
Te amei tanto que eu não imaginava
Que sozinho ficaria triste e oco
Quando o mundo me chamava
eu tava mouco
Galopando no vagão do pensamento
Que uma noite sem você
é muito tempo
E uma vida com você é muito pouco

terça-feira, 12 de julho de 2011

Estágios consagrados dos sinais dos signos em sol


"... Você me agradou me acertou
Me miseravou, me aqueceu
Me rasgou a roupa e valeu..."

Carlinhos Brown

Que reine o sol. Porque há um jeito de dizer tudo, mas há também uma forma em que alguns não entendem, apenas desdizem, imaginam, confabulam. Mas eu, completo dentro disso, desse espaço todo meu, acredito, plenamente que só eu, euzinho, posso dizer o que se passa aqui dentro. Hoje acordei com a corda toda. Queria confidenciar coisas que não ouso me dizer. Mas já que vem da minha linha imaginária jamais constante de escorpião em aquário, não sei bem o que é apenas sei que reside num pedacinho qualquer do meu corpo. Bom, os gatos egípcios não miam mais, apenas estão, estátuas a decorar um jardim que não é babilônico. Ontem eu disse que amava. Jamais tinha dito que amava, mas é que tudo me pareceu e apareceu tão diferente. Nada-haver-com-o-que-diziam-ou-eu-lia. Stop! Cadenciou um samba tão próprio. Quando vi, já tinha me aberto ao mundo,entrado na avenida, sambando, amando. Mas esse sentimento queima com a paixão e todo queimar amedronta, espanta bichos que correm de uma mata a qualquer sinal de fumaça. A escola perdeu pontos na entrada, no desfile, perdi o amor, houve um recuo da bateria, esta parou de tocar por lá, meu surdo ecoou sozinho, triste. Marte está em queda e Saturno tem o seu exílio. Algumas coisas não funcionam mais como antes. Então permaneço só, não como antes, porque tudo mudou.

“Não haveria planos, nem vontades, nem ciúmes, nem coração magoado. Se não fosse amor, não haveria desejo, nem o medo da solidão. Se não fosse amor não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você.

Caio Fernando Abreu

Vênus e Saturno pedem conscientização dos padrões a superar. Amadurecimento necessário.

"Now you say you're lonely
You cry the long night through
Well, you can cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you..."

Arthur Hamilton

Questões afetivas e de relacionamento se encontram num ponto delicado.

Novos espaços, outros cantos


Cabeças Cortadas Universo de Retalhos - Parceria com minha irmã Danielle Freitas

Parte de mim - o que vira escrita...

Os que me olham, me sentem e me acomapanham

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