sexta-feira, 28 de setembro de 2018


Sobre estradas, fendas, costuras e do gosto que fica na memória


Tão real quanto as estradas
São as rachaduras que existem nelas
Não me canso de ver as costuras
Mesmo que ali estejam todas as agruras
Bem como tenho constante necessidade
De esgotas as conversas, as discussões, tudo
Derramo silêncios e considerações
Cada margem da rodovia
Parecem espreme-la
Mas só a faz seguir em frente
Mesmo com todas as curvas, rotatórias, entroncamentos
Sempre amei o estradado
Suas nuanças, seus vazios
Ainda hoje lembro do cheiro que me invadiu
As sensações, o gosto na boca
De estar indo, seguindo adiante.

sexta-feira, 27 de julho de 2018


Previsão do tempo ou [Os corvos, o espantalho e a plantação]


Veja, eu rio o dia inteiro
Mais caro a minha dor
E todo sacrifício que resvala
Vivi tanto em uma única vida
E vivo, tanto mais

Tem gosto essa vida. Tem gosto variado, às vezes fácil de provar, noutras amargo, queimando ou mesmo causando enjoo como aquele remédio a base de peixe. Tem muito gosto. E nesses dias de julho quase agosto, tenho experimentado de tanta coisa - desde o desvelar dos sentimentos, como pondo outros tantos no canto, esperando a hora certa de colher e lidar com. Tenho sentido dor, venho aprendendo a com-viver com a dor e tantas vezes adormeço chorando. Ultimamente tenho acordado muito, durante a noite, durante o dia. E quando acordo de manhã tenho que revisitar os acordos que tratarei e trato sempre. Às vezes me sinto perdido e quando penso que não pode piorar, perco-me mais ainda. Hoje foi um dia assim. Que dia? Que dia! E quem diria que quando a gente se acha perdido na verdade o agente é a cegueira que criamos. Porque escolhemos ir por aqui e não por ali? Mais cabe e quanto mais cave, muito mais a des-enterrar, mas para plantar, mola mestra do colher, é preciso preparar a terra e o solo do meu corpo, de minha mente carece de trato. Venho tratando com o tempo. Venho conversando comigo, e vou também. E por mais que o lugar onde se quer chegar seja extremamente importante, ando percebendo que o eu que vai chegar, em algum lugar muito importante, é tão essencial quanto ou mais.

Corre e alcança o bonde
O amor eleito é tão, quanto
Me empresta teus ouvidos, teus olhos
E de onde percebo o sim
Só ouço e vejo ou não

Parte de mim - o que vira escrita...

Os que me olham, me sentem e me acomapanham

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