domingo, 22 de novembro de 2009

Dragão da Proteção

Queimou arestas.
Mordeu minha insanidade voraz.
Bateu em meu corpo,
expulsou alguns demônios
e deixou outros necessários ao meu equilíbrio.
Levou-me num voo rasante
e fez com que eu enxergasse o feio e o belo.
Feriu meu ombro e fez o sangue escorrer,
salientou que era para meu bem,
depois cravou uma marca em cima do ferimento.
Não doeu, não chorei.
Acreditei, acredito.
Fez-se em mim
meu anjo dragão,
protetor do meu corpo, da minha mente
e da minharespiração.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Coação

Querem me prender.
Querem possuir o meu tempo.
Querem abafar meu grito,
trancar-me em casa,
querem destituir minha tranquilidade,
acordar meu sono,
fazem com que eu tropece,
que eu amoleça,
querem amarrar minhas mãos,
não permitem que eu veja,
quando falo não sou escutado,
querem me punir de algo,
dizem que sou culpado,
que sou um agitador,
que não tenho direito algum sobre sentimento qualquer,
que não posso sentir nem raiva e nem ódio,
não tenho direito de resposta, de defesa, de nada.
Querem que eu fique vivo, que eu sofra, que veja o amor morrer.
Mas eu resisto, eu luto, debato-me, esperneio,
porque o meu direito de sentir, de viver, esse ninguém pode tirar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Prelúdio em sol do dia

Vem o dia de céu azul
Sabido do novo tempo
Entrego meus ouvidos ao piano
Prelúdio em doses, em escalas
Aquele veneno já não investe mais
Vento brando
Entre cristais e ametistas dependuradas
Tocando ao sabor
Notas do poema perfeito
Gotas de música
E eu queria sair por esse feixe
Passaria por entre ruas, becos, casas
Desceria em capricho aos sonhos
Entre o sono que desperta
Sopraria palavras ternas
Acalmaria os meus e os teus sentidos
Aninhava-me aos teus braços
Sorveria teu gosto dormido
Amaria os detalhes, o ressonar
Lágrimas cairiam por uma felicidade plena
Teu sorriso consentimento
A paixão se entrelaçando
Ao teu despertar lento e despreocupado
Ao puro desejo trazido durante o sono
a realização da entrega
As escalas se agitariam
Do suave a consumição
Dança deitada
Mãos que percorrem teclas, braços, pernas, sexo
Ouvidos apurados
Arrepios, deslizando notas
Brotando som
Entre sol, certo lá
E tudo raiando, jorrando
E eu não mais voltaria
Estaria sempre ao teu lado
Como música do dia

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Se uma das partes não está inteira, não vale mais o todo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um certo varal

De braços estendidos.
Portas abertas.
Coração tranquilo.
Espírito complacente.
Estou leve, solto...
Desatei os nós e os laços.
Folguei a gravata, sem cinto.
Sentindo, respirando.
Nada de entraves, suspiros, revolta.
Permitindo, permissivo, permitido.
Palavras poucas, ouvidos apurados.
Pés descalços, mãos de palmas para cima.
Tempo presente,
futuro compassado.
Música ambiente: jazz.
Tarde morna, noite agradável.
Recostado, a vontade.
Certo da espera,
sigo em liberdade.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

teu

Incontestávelmente entregue.
Teu falar sonoro invadindo por todos os poros.
Um desmembrar as partes e arrepios cristalinos.
Surtos de estremecimento.
Só o desejo não, tudo o mais aflorado, acalmando e rompendo.
Aquele ponto entre o danado e quieto, entre o fabuloso e o real.
Estado de perdição e encontro.