quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entre salmos e confusões

Passou, sabia que em questão de pouco tempo iria passar, sair, sumir, esvair, pular para fora. Incrível como ainda sofro, como me deparo com uma situação esperada e ainda sofro, choro. Parece fácil voltar a acreditar, pensar no dia seguinte, imaginar como irá ser bom o encontro, o beijo, o abraço, mas ele não acontece, nova decepção, nova dor, aquele-novo-velho-choro. Perder tudo, perder a chance de estar, de ser quem és, de não omitir, não mentir, não fingir nada, apenas ser quem és. Perde-se isso por pouco, por coisa ínfima, por mesquinharia, por nada. O mais engraçado é que não atende o telefone, não responde mensagem alguma, não dá sinal de vida, não diz nenhum porque. Me diga: não seria mais fácil me dizer um porque ou os porquês? Afinal sou humano, tenho sentimento, acredito na verdade, por mais que ela possa doer. Nossa! Que sufoco de carta barata perdida num jogo de burro. Simples seria se permitir, se dar. Até porque eu, bobo, besta, iludido, doei-me, dei-me mesmo, porque para mim é fácil, para mim é fato, para que se perder? E agora que não tem limão na geladeira e essa azia me consome, nada de sal de frutas, nade de curativos para essa alma que se engana, que deixa se enganar, que sofre e escreve, é, porque afinal, algum proveito eu tenho de tirar de hipocrisia toda, dessa falta de escrúpulos para com os sentimentos alheios. E eu nesse momento quero que tudo se consoma numa explosão, que caia raios e trovões, porque já não é mais solitude é solidão implacável, é masturbação mental, é último cigarro na carteira e é madrugada, o dinheiro acabou, não tenho vodka, não tenho sonho, não tenho nada, absolutamente nada que possa fumar e por a fumaça pra fora e assim enevoar esse quarto limpo, essas paredes brancas, essa cama grande, esse espaço que poderia ter duas pessoas, mas só tem eu, dicionário me olhando, cinzeiro cheio de tocos de cigarros fumados enquanto esperava uma ligação, uma mensagem, uma carta, um adeus, um não ou um sim, sei lá. Leio salmos, mas neste estado de sítio sentimental aflorado e plotado sobre mim me deixa confuso, mais até do que já sou, porque eu era simples, eu conversava sorrindo, eu sorria, ah como eu sorria! Mas acabou, gosto mesmo é de blues e jazz, porque sofro, sofro como imagino que elas, aquelas cantoras negras, sofriam. Mas já falei que não há o que beber e nem o que fumar, então, eu, jovem, calmo, triste, confuso, irei jogar água sobre esse corpo esguio e quem sabe assim, limpar-me de tudo, de você, de mim mesmo que sofro por acreditar que seja possível amar e ser amado, sentir desejo, apaixonar-se, viver algo junto de outrem. Banho, é disso que estou precisando e de mais salmos também.

Um comentário:

simoneribeirocavalcante disse...

Nossa,que desvaneios!rsrsrr vc realmente expressa com sinceridade suas emoções.Muito atraentes suas postagens,é como uma janela que permite que espinhemos a alma o centro das emoções.Gosteimuito mesmo!

Novos espaços, outros cantos


Cabeças Cortadas Universo de Retalhos - Parceria com minha irmã Danielle Freitas

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