quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A arrasada cantora dramática em cima do palco

Buscar o óbvio. Parece loucura, às vezes aparenta tormenta, noutras pura leviandade. Parti porque queria mais, queria mundo, cheiro de novo, aquilo tudo me apavorava, a sensação de estar presa, de não poder voar e só cantar, cantar, cantar. O palco. A vida pedia mais, meu intimo pedia muito mais. Eram enormes minhas asas para aquele cubículo que me continha. Abriram as cortinas e fui grande. Palmas para a artista. Sensação de boca seca, choro. Contenha-se! Era voz que vinha e pretendia me segurar, mas não, não era mais possível o controle. E como feixe de luz, lembrei-me da primeira vez que me visitou no camarim, as rosas vermelhas, o bilhete ousado, o beijo roubado que eu deixei levar. E hoje não tinha mais você, não tinha mais rosas, bilhetes e beijos roubados. Porque a prisão? Porque essa mania de querer me podar as penas, as plumas e paetês? Nasci pra ecoar o canto, sabiá de grota que morre quando presa. Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer, coisas que podem magoar e te ofender, mas cada um tem o seu jeito...”. Abri o espetáculo, cantarei como nunca, como se fosse a ultima vez, como se não houvesse amanhã. E beberei todo o conhaque possível. Dramática? Não. Verdadeira, humana. Sinto dor. Partir é sempre mais fácil, mas ser deixada, ser cuspida pra fora de tudo, da vida, enquanto tanto tempo se passou e você me amordaçando. Não. Definitivamente não. Bom dia tristeza, que tarde tristeza, você veio hoje me ver, já estava ficando até meio triste de estar tanto tempo longe de você, se chegue tristeza, se sente comigo, aqui nessa mesa de bar, beba do meu copo, me dê o seu ombro, que é pra eu chorar...”. Vou seguindo, vou andando, tropeços irão existir, sempre. O batom carmim? Não o uso mais. Nunca gostei dele, usava pra satisfazer seu fetiche, seu desejo impróprio e repugnante. Não penses que estar em frente ao palco com outra vai me fazer descer do salto. Não. Definitivamente não. Sempre estive acima, sempre fui eu a loba dessa estória e você o bichinho fraco. Parece que foi ontem. As joias, as canções, a casa no litoral, os amigos reunidos e sempre dizendo que fomos feito um para o outro. “Eu sei e você sabe já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim, eu sei e você sabe a distancia não existe e todo grande amor só é bem grande se for triste...”. O fim. Não sei, já que tudo sempre é começo. O tempo que dirá. Mas aquela mulher com quem você se deitou e foi feliz, essa mulher, está livre, está partindo em voo pleno. “Momentos são iguais aqueles em que eu te amei, palavras são iguais àquelas que eu te dediquei, eu escrevi na fria areia um nome para amar, o mar chegou, tudo apagou...”. Fecham as cortinas, o pranto, os aplausos, a vontade de desabar, ovacionada. Reabrem. Flores para a artista e gritam: Diva! Diva! Curvar o corpo ao publico, jamais para você novamente. É o fim do espetáculo, é o fim. O povo pede um bis: “Minha vida era um palco iluminado, eu vivia vestida de dourado, palhaço das perdidas ilusões...”.

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Novos espaços, outros cantos


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