Vasto espaço, largo descampado,
praieira planície sob meus pés, correndo, andando, parado, barcos, balões,
caminhões, pássaros sobrevoando minha cabeça, de tanto te procurar me perdi,
esquinas, vielas, avenidas de um coração tão pleno, desatino cristalino em dias
de sol, quando chove incansável busca não se finda, parte inteira do todo não
se pode esquecer. Meu amor estendido nos diversos varais, quintais, sentado às
portas das casas, passantes olham, não vem ou não entendem, seguem. Estive nos
faróis a fim de te ajudar, deixei rastros de pão, perfume, pedras. Tantas
fogueiras e sinais de fumaça, e aqui dentro tudo queima. L'amour est l'amour et
tout s'installe. Acredito demais, penso demais, vivo demais e nada será capaz
de me arrancar isso. Posso tropeçar, espinhos rasgar minha pele, matas densas
dificultarem que eu entre. Logo, sempre estabelecido, estarei de pé, guerreiro
soberano do sentimento, lanças feitas de poesia, cordas trabalhadas em canção,
espada forjada em perfume e sorrisos, escudo talhado em paixão, armadura de
corações que amam e na alma certeza do ser.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
esmiuçado
Todo
pedacinho de olhar que vem de lá pra cá me deixa ouriçado, luzes amarelas
emaranhadas no arame esticado sob o céu de algum lugar, qualquer, esvoaçando
cortinas, janelas abertas esperando entrar um pouquinho de perfume para inalar
e refestelar, pensar-horas-vagas-dedicadas, aquele sentimento, não esse que
você pensa, apenas esse que vive, guardado. Um dedilhar de notas canção
desenfreada de falar coisa tanta, perder-se no encontrar, mão que toca mão,
noite dentro adendo do dia que passou calminho, seu lado, meu lado, brisa fora,
beijo dentro, cálice de tinto seco, boca cor de vinho, mais beijinho
bebericando aqui cutucando acolá, simples contexto acompanhado.
Não, não sei bem, mas é nela que me perco me
acho, ela, toda doce, melando, melada, ah! é nela que me perco.
Sorver o mel que a noite traz... E sou urso,
abelha, gente querendo, buscando o mel que alimenta, lambuza, atordoa,
apaixona.
Meu nome, Noite, escura como a pele da pantera
negra, ofusca caçador, engana traiçoeiro, faz sorrir galanteador. Minha cor,
difere dos demais, única, brilha com a lua, resplandece com o sol. Minha boca
com mel se lambuza e com ele se derrete. Ah! a Noite!!
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