terça-feira, 31 de março de 2015

Eu água

Para se ler ouvindo 

Thalita Pertuzzatti ''Quando Fui Chuva'''



Escorri para dentro, saindo, pra fora, por inteiro, esmiuçando os espaços, lugares, corpo, pele, cabeça, pensamentos, o tempo, tudo, mas tudo quanto pude ser liquido para passar, ficar e seguir. Se de fato meu estilo é de seguir como pede toda água, cheguei onde tinha de chegar, lagos, rios, mares, oceanos, chuva, saliva, suor. Lembro-me pela imagem d’água de cair, solto, quando em cascatas sobre tua pele vivi a entrega da liberdade, do bater de frente e depois o contorno, e perceber que juntos iriamos mais longe. Todo gosto que escondi e então em mais perfeita dança consegui abrir as comportas e me deixar correr por planícies, inundando tudo, rompendo barreiras, barragens, mostrando como sou água. Na memória de tudo que existe, água. Do sangue que irriga, dos olhos que teimam em derramar sal, do beijo que mela, do gozo que faz suar e lambuzar a pele, do juntar, do lapidar, do viver, do liquido que me criou, do leite que me alimentou, em tudo quando sou: água. E se agora pareço sumir de tuas mãos ou quem sabe me deixas ser livre, não me perdes, apenas me ganha de tarde numa xícara de café ou de chá. Sinto me tocar quando no banho te lavo. Aqueço na taça de vinho e sorvemo-nos nas noites frias. Sempre, em tudo, no ar, no lavar as mãos ou o rosto, sou eu água.


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