sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Olhares Obliquos

Remanescente de lugar qualquer, trazia em si uma certeza de coisas tantas que causava espanto. Mas o que mais causava incômodo era o fato de olhar sempre com ar de quem sabia mais, de quem desdenha, que não está nem aí, que poderia contestar ou maldizer tudo a qualquer momento, “... Quaquaraquaquá, quem riu? Quaquaraquaquá, fui eu...” e ela seguia com seus passos, seus desleixos, seus contextos e ria de qualquer um ou não ria, apenas olhava, mas olhava daquele jeito, por cima, de lado, longe, perto o suficiente para intimidar, causar tonteira absurda. Passando pela rua, lá estava ela, à janela, via tudo, não olhava para nada, de frente outras três se espremiam, não olhavam para ela, não olhavam para nada, mas também tudo viam. O dia passando, entre entrar e sair, passar e ficar, conversar, olhar as horas, sempre elas, imprecisas e parecendo não terem muito que fazer de mais original e importante, viam o dia dar lugar à noite e os diurnos aos noturnos, “... E agora cadê, cadê você? Cadê que eu não vejo mais, cadê? Pois é, quem te viu e quem te vê...”, e depois uma saindo, depois a outra, logo em seguida as duas restantes, e várias outras que não se via, mas que olhavam, viam e mesmo que não restasse mais a presença física nas janelas, seus olhares oblíquos ainda olhavam para quem passasse ou parasse.


* Trabalho em carvão de Carlos Gregório de Souza

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