quarta-feira, 4 de março de 2009

Exaurir

Chegado. Aferir não adianta nada. Nem mesmo segurar nas minhas mãos esse instante. Chegou. Desceu sobre tudo e não adiantar espernear, gritar, lacrimejar. Chegou. Esse estado de letargia, de definitiva agonia instantânea, esse processo de saudade constante, esse construto de solidão e saudade que me invade e me deixa em tom pastel. Olhei tanto pela janela que mesmo quando fecho os olhos vejo as coisas passarem e nada faço, apenas olho, não vejo e pronto.
Faço parte do que? Porquê? Onde? Nem adianta me questionar, sou confuso, sou redemoinho, sou nada nesse exato momento em que me queixo e me entrego ao nada. Conjunto vazio, determinado ao impossível, ao sonho de sonhar e jamais ter, realizar. Entregue a tristeza, por isso ando calado, olhando para o chão, porque ninguém tem nada com isso, comigo. Cheguei. Depois de tudo isso ainda mesmo que durma, acordo sem nexo, sem beira e nem eira. Sonhos confusos durante o sono, nem melhor e nem pior dos que sonhei acordado. Passado, entrelaçado ao acaso e a sorte passa longe, tem medo de mim, de minha vastidão de não dar certo. O engraçado é que não graça, não cor alguma. Chegado. Estou assim, cansado, paralisado. Nada de help! Nada de socorro. Nada de ajuda. Nada procede, nem precede. Mas ainda assim existe uma esperança. Aquela mesma que nunca morre, que sempre renasce tal qual a Fênix tatuada em meu corpo. E mais leve e firme que a libélula que voa fixa em minha panturrilha. A esperança de amor que muda, de amar que transforma. E de um amanhã novinho, pronto para ser vivido. Chegado. Chegando amanhã, renovada e redobrada a força eu mudarei meu plano de voo, minha entranhas estarão limpas de todo esse lamento, dessa tristeza. Até amanhã.
*****
*Desculpem-me, mas sempre fico triste, por demais saudoso e sem esperanças no fim de meu inferno astral. Amanhã é outro dia, amanhã é meu aniversário e tudo voltará ao normal.

6 comentários:

tossan disse...

Esta tua narrativa em forma de desbafo tom pastel é muito bonita! Abraço

nodivacomsamantha disse...

aiai... suspiros...
Amei!!
bju

freitasdanielle disse...

Meu nicosso, eu amo vc!

Roberta Albano disse...

Talvez você devesse se forçar a não se entregar. Você pode simplesmente ocupar a cabeça com outras coisas até que passe.
Você sabe, a mudança começa em você. E você só se sente vazio porque quer. Afinal, você é um ótimo escritor. Tem fans. Talvez devesse olhar em volta
daqui, da casa, dos lugares
reparar mais nas coisas bonitas, nos detalhes da rua, e se deixar apaixonar pela paisagem. E então pode ser completo de amor

Ana Aitak disse...

ficou bonito demais esse pouco de melancolia em forma de texto, esse fizinho de melancolia, pois no final vc mesmo disse é finita. Abraço

Afobório. disse...

nossa, achei tão vivo o seu texto que até me emocionei.
acho que a linguagem que usou tornou o texto muito interessante.

sorte e luz.

Novos espaços, outros cantos


Cabeças Cortadas Universo de Retalhos - Parceria com minha irmã Danielle Freitas

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