sexta-feira, 13 de março de 2009

Um dia desses - quando ficamos sem chão.

Decomposto o largo e experimentado o olhar, sigo em contralto, disparando contra o som do silêncio e do abismo que me separa de quem amo.


O ventilador de teto girando devagar e essa fumaça toda o torna mais lento com a ajuda dessa luz difusa do neon da padaria. Queria ter forças para levantar da cama, arrumar a casa, mas só consigo estirar a mão para pegar outro cigarro e acendê-lo no toco do que acabara de fumar e que quase se apaga nos dedos. Talvez quando esse maço acabar eu tenha coragem de sair de casa, sair desse estado enevoado e letárgico em que me encontro.
O tempo vai passando e quanto mais penso que aprendo com a vida, percebo que sou um tolo. Corrida essa ampulheta que é meu destino, meu traçado, jamais tinha vivido algo tão intenso, nunca tinha estado tão apaixonado e mesmo que no inicio eu me preparava para esse momento, no fundo sempre fui à criança com medo do bicho-papão, da cuca, do homem da baratinha vermelha. Jamais estamos prontos para o fim, para sermos deixados. Partir sempre é mais fácil mesmo quando se deixa pra traz pessoas e coisas. Mas ser deixado, ser cuspido para fora da vida, da história que você participou, que você ajudou a construir é cruel, é desumano.
Ainda ontem estava tudo bem. Tantas brigas existiram, tantos desentendimentos, mas sempre conversamos, sempre resolvemos. Parece que fui enganado em todos esses momentos. Somente para mim as coisas estavam calmas e resolvidas depois dos diálogos. Por quê? Estou a vinte oito horas sem dormir, tentando entender. Buscando me achar no meio dessa agonia chamada fim.
Não nos conhecemos há uma semana, nem mesmo há um mês, são anos e anos, são doze anos e desses, seis morando sob o mesmo teto. É uma vida, uma eternidade, tudo que temos foi erguido com amor, com carinho, cumplicidade, com nosso esforço diário em fazer tudo dar certo. Quando nos conhecemos éramos estudantes, sonhadores, inocentes. Fomos conquistando a maturidade juntos. Aquele espetáculo da Virgínia Rodrigues, as nossas mãos trêmulas se tocando, foi nesse dia que tive certeza e receio. Logo a convivência foi dizimando o receio e fui me apegando, me entregando a paixão. As nossas viagens. Ah! Como nos divertimos em todas, até mesmo quando dormimos no sol numa praia em Natal e ficamos vermelhos de tanto que tostamos, só conseguimos dormir depois dos analgésicos, mas mesmo assim ríamos de tudo, dessas besteiras todas.
Não entendo, por mais que tenha me dito com todas as frases, todas as palavras, não creio que tenha acabado de uma hora para a outra, que tenha morrido o nosso amor. E os planos que estavam por se realizar e há pouquíssimos dias discutíamos? O que aconteceu com eles? E o pior de tudo é ouvir: “Vamos parar por aqui enquanto existe amizade.” Amizade é o “caralho”! A merda com a amizade, eu amo e não quero só a amizade. Estou partido, quebrado em pedaços, em cacos. Quem vai me colar? Quem? Não quero isso, não quero.
E esse maldito cigarro que está acabando.

5 comentários:

Flávia disse...

Eu fiquei sem chão. E é exatamente assim.

E o que é pior, não fumo mais.

Beijos, belo.

Roberta Albano disse...

só peço que não substitua seus vícios.
Continue tentando resolver ou se conforme

mas, se eu posso te garantir uma coisa, é que grandes amizades sempre voltam.
Demoram
passam um tempo sumidas
mas tudo que é realmente importante
um dia brota de novo na vida

não se acabe
continue vivo naquilo que você tem

nodivacomsamantha disse...

Amigo,
Selinho lá no Divã pra vc
Bom início de semana!
Espero que estejas melhor
bjuuuuuuuuu

Solange Maia disse...

Plinio,

Só quem já viveu um amor é que sabe entender o que você escreveu sexta-feira. Dói. Dói mesmo. Demais.
Mas você sabe... a gente não morre de amor, a gente quase morre, mas depois que acaba o último maço, alguma coisa inesperada nos faz levantar e seguir adiante.

Tente ver ali na frente...

Um beijo no coração...
Vai passar....

Solange

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

Neo disse...

Sem chão e sem palavras..

Abraço e melhoras

Neo

Novos espaços, outros cantos


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