quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dia 5

Não sabia que música era aquela que entrava pela janela, nem muito menos de quem era aquela voz doce e afinada, mas começava a perceber que alguma coisa estava diferente, que o amanhecer surgia com uma energia extraordinária. Era comum ser acordado pelo barulho infernal do metrô ou pelo bate estaca da construção da esquina, mas jamais tinha despertado de forma tão prazerosa. Dia cinco de fevereiro; Esta era a data anunciada no meu calendário de geladeira. Enquanto tomava o copo com água matinal me lembrei que dali a exatamente um mês eu estaria comemorando o meu aniversário e que de alguma forma começava a se aproximar o meu inferno astral e por mais que eu não acredite nisso, os dias antes de meu aniversário sempre são dignos do rei das chamas profundas cheirando a enxofre. Mas eu não queria me apegar a esse detalhe, pois além do meu dia começar genuinamente maravilhoso, poderia me ater ao fato de que me casei no dia cinco de junho, que meu filho nasceu no dia dez de dezembro que é o dobro de cinco, que meus irmãos fazem aniversário dia cinco de outubro. E que na mesma data só que do mês de janeiro deste ano, minha mãe completou cinquenta e cinco anos. São muitos cincos em minha vida e todos dadivosos, isso sem citar que me separei no dia cinco de agosto, que sem dúvida foi à melhor coisa que fiz em minha vida. Neste dia calmo e musical quero ficar em casa, que por ser dia de pagamento, não quero gastar um centavo sequer. Pronto! Decidido. Ficarei em casa, degustando esse sentimento de tranquilidade e liberdade.
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