segunda-feira, 24 de maio de 2010

Amor à mesa posta – Oferta de tempo – Provisório/Definitivo


Faça de mim uma mesa grande e vasta. Ponha sobre ela tudo que for possível ser feito com o livro de receitas da tua mãe. Convide todos que tu ostentas como amigos e me oferta. Vai, faz isso. Porque já não sei mais onde me encontro, já não sei mais porque insisto em ser tão dada aos teus caprichos. Havia um tempo em que éramos somente nos dois, sem meandros, sem anexos, sem essa rotina-absurda-de-muito-trabalho. Um dia desses estávamos sob os lençóis e nosso amor consumia todo o nosso tempo. Hoje, o tempo pouco que nos resta não consome o meu desejo em te ter e tenho de me calar, suportar, porque me jogas na cara que tudo isso é em meu favor. Mas quando saí de casa para me ater ao teu amor, ouvia de ti muito de romance, de construir uma vida feliz, baseada na conversa, no diálogo e onde estamos? Responda-me! Melhor não. Cale-se, resuma-se ao seu bojo, porque sei que descarregarás sobre mim tanta hipocrisia que me dará ânsia de vômito. Por quê? Sei que sou uma boa mulher, esposa, mãe de família, amante. Por quê? Apesar de recatada na frente dos outros, sempre fui o furacão que te roubava as roupas e te rodopiava e derretia em suores quando estávamos a sós. Por que deixaste de ser o homem que trazia flores, que me pegava por trás enquanto eu lavava os pratos depois do jantar? Não vês que diante desta tua megalomania, desta tua ganância estás jogando fora algo supremo e divino que é o nosso amor? Porque homem, por quê? Será que não sentes quando deitas que eu estou ansiosa por teu toque, por teus beijos, pelo teu cheiro? Mas não, pelo contrário, pensas que sou um objeto a tua disposição e me usas ao teu modo, vira e dorme. Quanto de ti se perdeu. Quando daquele homem que me apaixonei pode existir dentro de ti? Não sei até que ponto quero continuar nesse contexto aguado de feijão ralo que tu odeia e agora faz das nossas vidas. Queres voltar para a festa? Pois vai, volta, volta para esta recepção que eu preparei que eu arrumei que eu cozinhei junto aos empregados. Vai, porque tu és rei, não é verdade? Mas sem tua rainha aqui, nada disso estaria do jeito que estás. Agora vais sabendo que isso chegou há um fim, não dá mais para mim. Acabou. Não quero mais ser tua marionete, teu fantoche de louça chinesa que usas para atrair a atenção dos outros, porque no fim das contas, tu não tens brilho algum e fui eu quem te colocou onde estás, eu quem te transformou em quem és e fui eu, euzinha quem dormiu com teu patrão todos esses anos para que ele te desse o cargo que tu tens. Porque desde o início ele correu atrás de mim e para te ver feliz eu fui capaz disso, para te ver onde estás eu tive que engolir a seco meu orgulho, mas esse foi meu grande erro, ter feito o teu jogo, a tua vontade. Então vai pobre homem, vai, porque não vales mais um mínimo esforço meu. Acabou. Chega desta agonia pré-determinada. Chega.

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