terça-feira, 1 de junho de 2010

Ela chegou, sorrateira e certa de si, a tempestade. Sobre minha cabeça. O guarda-chuva.

Chegou. Chegou e pronto. Estava demorando. Há um tempo que a previsão dizia que estava por chegar uma tempestade forte. Inicialmente veio como uma chuva de verão, mas os ventos foram aumentando, aumentando e pronto: Chegou. Não queria chuva, não gosto de chuva. Mas que posso fazer agora que meu coração anda mais apertado que tudo? Tive de fechar as janelas e o ar aqui dentro parece pesado. Tudo na verdade está acima do peso e eu não pareço poder suportar. Há quem recorrer? Logo eu? Eu que estou sempre ao alcance de todos e agora, a quem peço colo? Porque sou quem vem caindo como tempestade, com ventos forte que derrubam tudo que há nas paredes, eu quem dissolvo, eu quem não consigo mais dizer muitas palavras, porque as águas caem desesperadamente. Aonde ir? Com quem falar? Que coisa poderia me ajudar a suportar essa enchente, esse deságue todo? Socorro! Help! SOS. Preciso de um colo para simplesmente deitar minha cabeça, e chorar, chorar, chorar e não dizer nada, porque nem mesmo eu, logo eu, não sei bem o que se passa, apenas quero um colo. Por favor, alguém tira de mim esse desgosto amargo, azedo, essa vontade enorme de se ir, alguém, por favor, não me deixe só nesse momento, porque a solidão só aumenta com essa chuva que cai lá fora, aqui dentro e eu me afogando, sem poder emergir. Por favor. Por quê? Porque Barbra Streisand me faz chorar mais ainda, porque choro e cigarros não combinam, porque isso agora que tudo ia tão bem? Por quê? Porque assisti a aquele filme? Transbordando assim, sozinho, sem sono, arrepios de baixo até em cima, lembranças, passado ativo, presente dolorido, futuro, ah esse futuro que me deixa mais amedrontado. Por quê? Porque o telefone não toca, porque não existem respostas para minhas mensagens envidas se foram recebidas? Por quê? Procurei um analista fumante, mas o seu ego era tão aguçado que me deixou desolado e logo agora que eu precisava tanto dele, da sua forma calada de ser e de me deixar chorar. E de também me indagar coisas que me deixam mais confuso e me fazer chorar mais ainda e isso de alguma forma iria me encharcar muito por fora, mas iria me secar um tanto por dentro e isso também é preciso. Mas se o fato de me encontrar assim tão frágil é porque preciso entender que não sou realmente tão forte como imagino, como imaginam, como gostariam que eu fosse, como gostaria que fosse, como... E se amanhã eu acordar pior que hoje? E se... Ah! A merda com o que pensam, porque nesse exato momento não há ninguém que me dê colo, então ninguém tem o direito de me cobrar nada. É isso. Mas essa chuva não passa e eu quem sou o guarda-chuva, eu quem me molho mais em vez de estar protegido. Vou me despir de tudo e vou tomar correr por aí, sim, isso, louco, correndo pela tempestade, melhor, sendo ela, em vez de querer impedir seu cair.

Um comentário:

ana disse...

eu acho que sou um enorme guarda-chuva hoje.

Novos espaços, outros cantos


Cabeças Cortadas Universo de Retalhos - Parceria com minha irmã Danielle Freitas

Parte de mim - o que vira escrita...

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